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A Claque de Eduardo Paes

Por Aloisio Reis
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A Claque de Eduardo Paes

Caminhadas de Eduardo Paes tem mobilização fabricada fora da Capital, com cabos eleitorais e nomeados de aliados, mas público espontâneo foi reduzido a observadores de passagem – cenário que escancara desafios da campanha e repete padrão observado em postagens recentes em suas redes sociais.

A Caminhada do candidato pelas ruas de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Petrópolis, Niteroi e até mesmo São Gonçalo expôs um fenômeno já conhecido do jogo eleitoral: a força da máquina partidária nem sempre se traduz em entusiasmo popular. Com um contingente de dezenas ou centenas de pessoas, é visível a participação maciça de militantes contratados ou vinculados a outros postulantes ao Legislativo, enquanto a adesão de moradores locais foi, segundo observadores, “esparsa e desorganizada”.

A dinâmica do evento – carros de som, veículos adaptados e cornetas para dar volume à passeata – não conseguiu disfarçar o descompasso entre a estrutura montada e o engajamento genuíno da comunidade. A maior parte dos presentes integrava as chamadas “caravanas” de candidatos a deputado federal e estadual, numa clara troca de apoios que reduz o ato a um palco de exposição mútua, mais do que a uma demonstração de força nas urnas.

Esse retrato também se aplica na Capital, onde Eduardo Paes parece se sair melhor, mas ele faz imagens onde conseguiu impactar como prefeito do Rio, em outros locais se repete a dinâmica da falsa mobilização popular. Eduardo já é conhecido de todos, não é novidade, não tira as pessoas de casa, não aguça curiosidade, não faz os jovens sentirem vontade de um selfie.

Para analistas, o episódio acende um alerta sobre a capilaridade real da campanha de Eduardo pela 3ª vez. Quando a caminhada depende mais de cabos eleitorais do que de moradores, que param para ouvir ou acompanhar quando o candidato é liderança política ou candidato celebridade. A falsa mobilização é indicador de rejeição ou indiferença, e preocupa qualquer campanha.

O desempenho da caminhada, contudo, não é isolado. Especialistas apontam que, com o encurtamento da campanha e o financiamento público cada vez mais vigiado, muitos candidatos recorrem a estratégias de “militância alugada” para simular vigor. O risco, ponderam, é que o eleitor, cada vez mais atento, transforme essa artificialidade em voto de protesto – ou, pior, em ausência nas urnas. E, na política, ruas vazias de espontaneidade costumam falar mais alto que carros de som.

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